O desabafo de um Belorizontino!

Contextualizo
Os belo horizontinos vivem em uma sociedade paradoxal.
Somos os roceiros da cidade grande. Pacatos e agitados. Discretos e desconfiados, mas receptivos e interessados. A evolução tecnológica e o trânsito caótico ainda são novidades. O governo é coronelista, restritivo, mantém a maior distância possível do povo. É propagandista e controlador ao extremo. A liberdade (essencialmente) não parece muito ter chegado nessas bandas. É vista ainda como subversividade.
Os belo horizontinos ainda aprendem a não frequentar só os mesmos botecos e restaurantes. Na dita capital mundial dos botecos, ainda temos como referência o Bolão e a Cantina do Lucas. Mas temos belas novidades. O belo horizontino é conservador. Restaurantes conceito se fixam aqui com dificuldade. Ivo Faria é o chef do ano todo ano. Será que não temos outros bons chefs?
Não temos tantos ricos que sustentem muitas lojas ostentadoras.
Temos muitos pobres.
As barbaridades feitas com os animais no Mercado Central ainda não são reconhecidamente amorais. Mas são ilegais. Mercado de delícias e maldades, tão dúbio quanto os conterrâneos.
A cultura ferve. Temos bons festivais de cinema, belas exposições, mas somos carentes de diversidade em peças de teatro. Os besteiróis reinam absolutamente.
Axé Brasil é o maior evento musical na terra do Sepultura. Pato Fu não tem influências no Clube da Esquina. A ausência de mar não impede um Campeonato Mineiro de Surf. As grandes turnês internacionais ainda não veem BH como um destino certo. As festas rave tomaram contornos de micareta. Debaixo do viaduto, o duelo é sangue no olho. Na amizade.
A praça da Savassi é emo às sextas. O Três Corações deu lugar à expansão da telefonia móvel. Travessa, Status, com Letras, com Prosa. Status?
Nova Lima é longe, Macacos é longe, Contagem é longe, Betim é longe. Belvedere e Venda Nova são mais longes ainda. O aeroporto é longe. Mas Belo Horizonte nem é tão grande que permita que cidades vizinhas sejam distantes, ou que outros bairros o sejam. O belo horizontino é mal acostumado.
São Paulo acha que somos uma roça, mas nós achamos que em Manaus só tem índio. Se gaúchos são separatistas, somos bairristas. Praia? Espírito Santo ou Porto Seguro?
Ninguém aqui fala belzonte.
É Belorizonte.
Por André Coelho do Cinético Blog


segundo, “Cidade de Deus”, “Meu nome não é Johnny”, nos cinemas agora o “Divã” no qual é contracenado por Lilia Cabral, o “Auto da Compadecida”, entre muitos outros que são ótimas produções, desde o roteiro até as filmagens, efeitos visuais, literalmente, muito bons.
população. Grandes produções, que deveriam concorrer ao Oscar, como a comédia “Se Eu Fosse Você” onde Tony Ramos e Glória Pires fazem um trabalho excepcional, elogiados por quase todos os críticos do cinema. Por que eles não viram seriados, como o “Tropa de Elite” virou? Com certeza, eles não receberam o mérito que deveriam.











